Semana da Arakawa 2
E lá vamos nós à nossa viagem à maravilhosa mente da Hiromu Arakawa. Caso você, caro leitor, não se lembre o que diabos é isso aqui, sugiro que pule alguns posts abaixo e veja o que eu propus. Se você está procurando Fairy Tail, ainda não é a hora de vê-lo aqui no Anima Regia, já que o cne128 não traduziu ainda. Aliás, Fairy Tail me lembra como o Anima Regia tem uma relação estreitíssima com seu autor, Mashima, ainda que não tenhamos aqui todas as séries dele (como Rave Master e Monster Soul), mas deixa isso pra lá ou esse post não acaba. Se procura Beelzebub ou Psyren, estão logo abaixo desse post. Mas se estão a fim de viajar comigo, continuem lendo
No meu primeiro post, eu trouxe o primeiro trabalho da Arakawa, Stray Dog, lançado em 1999 e vencedor de um prêmio. Stray Dog, na verdade, foi só o primeiro trabalho “sério” dela. Isso quer dizer que antes disso ela já se esforçava pelo seu sonho de ser mangaka, algo que vem desde sua infância, quando desenhava em cadernos na escola. Após se formar no colegial, recebeu aulas sobre pintura à óleo uma vez por mês, enquanto ajudava sua família na criação de vacas numa fazenda no norte do Japão, em Hokkaido. Durante essa época, ela criou dojinshis (mangás amadores) com alguns de seus amigos, o mais famoso é Shishi Juushin Enbu, e fez yonkomas (aquelas tirinhas de quatro quadros, também chamados de 4-koma). Só uma pequena fuga do assunto, mas acho que muitos conhecem a origem da Lei da Troca Equivalente em Fullmetal Alchemist, e ela se refere exatamente à essa época da mangaka. Mesmo ganhando dinheiro trabalhando em mangás, ela ainda precisava ajudar na fazenda de seus pais. “Quem não trabalha, não come”, é o que ela dizia. Não foi uma carreira fácil, mas dá para se perceber como ela se esforça e como ela desenvolve uma habilidade para esse mundo. Quem leu o oneshot Stray Dog viu seu talento tanto no traço quanto na trama. Mas apenas uma obra (normalmente) não é suficiente para dizer se o autor é ou não bom, e é aqui que entra a nossa segunda parte da viagem! Após vocês lerem mais duas obras dela, vocês terão uma noção mais clara sobre seu potencial. E eu trago hoje duas séries que desenvolvem o humor da vaquinha.
Shangai Youma Kikai: Cap. 1 – Cap. 2 – Cap. 3 – Cap. 4 - Baixar todos
A primeira se chama Shangai Youma Kikai, e é uma das séries mais estranhas que eu já pude ler. Pelas palavras dela: “Meu primeiro trabalho era sério, então eu queria fazer uma comédia leve dessa vez”. Na época ela tentou invocar o humor dela, colocando tudo do que ela gosta (comédia, China, monstros, velhos barbudos, músculos, coisas inúteis, comidas e oficiais inúteis), e criou algo totalmente nonsense (por falta de um termo mais adequado). Resumidamente, em 2050, a Corporação Taoísta de Demônios de Xangai cuida de demônios que quebrem a harmonia da cidade chinesa. A líder é nada menos que a Kyuubi e um dos funcionários é Jack, o Estripador. O problema é que a cidade sempre acaba sendo destruída pela Corporação, o que coloca o orçamento deles sempre no vermelho. Uma série voltada para o humor (repetindo isso), recheadíssima de ação, com um clima mais ameno que Stray Dog. São quatro capítulos, todos lançados esporadicamente ao longo de sete anos.
A série foi lançada inicialmente em 2000. A Shonen GanGan já tinha percebido o talento dela desde 1999, e em 2001, no ano seguinte, eles deram um “ok” pra ela, e assim estreiou a sua maior obra (por enquanto): Fullmetal Alchemist. A série começou modesta, simples, e era chamada de “comum” no começo. Mas o desenvolvimento da trama e dos personagens animou todos os leitores. Cada personagem é único e facilmente reconhecível. Para se notar isso, reparem que cada personagem tem alguma piada programada por ela (ela não deixa de colocar o humor em suas tramas). Com o tempo, a Arakawa ganhou um destaque grande dentro da Shonen GanGan (e mais um prêmio, em 2004, por FMA). E foi assim que a convidaram para fazer uma série no final de 2005: Raiden-18.
Mais uma série focada no humor. Mais uma série nonsense. Mais uma série extremamente cativante. Lançada na Sunday GX (outra revista da GanGan), Raiden-18 explora o lado sobrenatural que a Arakawa tanto ama. A Professora Tachibana é uma espécie de Doutor Frankenstein dos tempos modernos, e ela cria o Raiden-18, sua obra-prima, a partir de partes de cadáveres de pessoas famosas. Seu objetivo é entrar numa competição de luta de “monstros de Frankenstein” e criar outros subordinados. Impossível não rir com as esquisitices da Tachibana ou com as tentativas do Raiden-18 de desafiá-la. Mais uma série femme fatale, coisa que a Arakawa adora. Mulheres extremamente perigosas e cruéis, apesar da aparência normal (Olivie Armstrong e Izumi Curtis não me deixam mentir). Talvez a Arakawa seja uma mulher cruel. Pelo menos dizem que ela guarda um esqueleto no armário do apartamento dela (confirmado por Moritaishi, autor de Highschool Judo Club).
Essas duas séries conseguem expor bem o lado humorístico da Arakawa. Quem acompanha Fullmetal Alchemist percebe como cenas engraçadas acompanham cada momento da trama. Tem quem ache que isso descaracteriza “cenas sérias”, mas quem entender os trabalhos dela verá que seus mangás equilibram o drama e o humor de uma maneira espetacular (às vezes no mesmo quadro), mas nem por isso eles se anulam. São complementares, e se tirarmos de FMA o humor, a série deixa de ter metade do appeal. E, admitam, quem não espera o volume completo de FMA para poder ler os omakes? Uma série só séria cansa, pelo menos pra mim. O humor serve descontrai, atrai você para a obra. Mas vamos parar por aqui, hoje, já que vocês têm seis capítulos para ler (e rolar de rir, acreditem). No meu próximo post (acho que sexta ou sábado), eu venho falar do lado dramático da Arakawa (preparem-se para chorar), e eu vou tentar falar mais sobre a vida dela. No meu post final, acho que segunda ou terça, vou finalizar todo meu perfil da Arakawa e, de quebra, trago o tão aguardado lançamento do mês.
Stay viewtiful!












